sábado, 7 de novembro de 2009

É IMPOSSÍVEL ELIMINAR TODOS OS QUES




No meu serviço público, entro na casa das pessoas, ou na vida mais ou menos sem pedir licença. Explico: tenho uma mandado judicial para fazer isso.
Procuro fazer isso da forma mais delicada e firme possível, na maior parte das vezes funciona. Poucas vezes a resistência é tão forte que só com a delicadeza da polícia.
O mais impressionante é estar tão perto da vida real das pessoas; é de certa forma assustador.
Imagino como um terapeuta se sente tendo acesso a histórias pessoais íntimas, agora, pense em entrar na casa da criatura, ai, ai.
Esses dias entrei na casa de duas passarinhas.
É um prédio antigo no centro da cidade onde moram duas senhorinhas quase duas rolinhas. miúdas, miúdas. O apartamento é um conglomerado de coisinhas, móveis e lembranças, tudo muito arrumadinho.
O pai das senhorinhas foi dono de vários imóveis na cidade. Estava eu lá para que elas pagassem o imposto de um terreno que era desconhecido de ambas.
O pai morreu e elas não fizeram o inventário; disseram que muitos imóveis foram tomados (pensei comigo como alguém que teve os bens tomados não reage) e achavam que não restava nada. Repeti a orientação nem sei quantas vezes. Fiquei com a impressão de que elas não saiam do apartamento para quase nada. Não casaram e olhavam prá mim com ar desconfiado.
No começo achei que elas nunca entenderiam que talvez fossem até abastadas e, o fato do imposto estar atrasado na verdade indicava que elas tinham um imóvel - o que não é definitivamente uma má notícia. Enfim, foi um grande agito na vida delas, elas tinham uma investigação para fazer e ficaram visivelmente em suspense. Confesso que também fiquei. Será que as duas rolinhas vão finalmente sair do apartamento?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

EITA!

mas não é que é bom ter um lugar pra falar o que quiser, eita!
depois eu penso: será que eu penso tudo isso mesmo? eita!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

OS PAIS E MÃES QUE A GENTE ESCOLHE



Felizmente o mundo tá cheio de pais e mães pelo menos intelectuais e/ou espirituais.

Gosto do jeito como o Flávio Gikovate explica as coisas da vida; também da Teresa Robles, John Bradshaw e ano passado vi uma palestra bastante interessante e intrigante do Ricardo Goldenberg.
O Ricardo falou sobre corrupção: a corrupção dos corpos, pelo tempo e a corrupção da alma.
Ele disse que a palavra incorruptível não tem uma etimologia confiável, uma vez que ela passou a ser usada por Paulo, o apóstolo, como indicativo de um estado de espírito a ser alcançado para a nossa salvação.

Entendi que todos nós somos corruptos em maior ou menor grau e buscar a santidade é tão louco quanto sair ferrando geral.

É doido pensar assim, pelo menos prá mim. Imagine que qualquer benefício ao qual tenhamos acesso, como o dinheiro, elogios, presentes de todo tipo venham esporadicamente de pessoas que possam obter vantagem em troca do objeto oferecido; ainda que seja para estreitar os laços, não é um ponto sem nó.

Me lembrei agora do pianista Nelson Freire. Ele sempre escapa das entrevistas e, num documentário sobre ele, alguém pergunta qual o motivo da esquiva, ao qual ele responde que o que importa é a música, o resto (ou seja, ele) ....
Convenhamos que se ele aceitou o documentário, ele não é tão esquivo assim.

Ouvi também o Flávio Gikovate dizendo que o pessoal que ganha o prêmio Nobel, em geral vai trabalhar no outro dia.

Um exemplo engraçado que o Ricardo Goldenberg deu sobre esse estado de espírito embuído das melhores intenções progressistas humanitárias, incorruptíveis e que (e)elevariam as nações, foi o caso do Che.
Ele gostaria de saber se o Che foi perguntar pras pessoas as quais ele se propunha a resgatar, se elas todas queriam ser salvas e por ele.






sábado, 15 de agosto de 2009

COMO É DIFÍCIL!



Pensei que era só aprender a música e tocar.
Mas tem o lugar para tocar.
Mas tem as pessoas com quem tocar.
Mas tem quanto vai ganhar.
E quando se tem tem tudo isso, os parceiros têm interesses diversos, o contrantante idem e o tal negócio de grana é complicado mesmo.
Mesmo tendo a casa lotada que é o que todo dono de bar gostaria, o nosso contrantante parece que não gosta, ou melhor, finge que não gosta e usa de outras artimanhas para dar a entender que não está satisfeito. O efeito é o seguinte: despretigie e abuse, como quiser.
É um jogo de xadrez, cansativo, cansativo.
Cadê o ouro, cadê o doce, o Bole-Bole, o Gostosinho?
que me responda o Jacob do Bandolim de onde ele estiver...



domingo, 12 de julho de 2009

ANTEPASSADOS



Ontem participei de uma reunião de família, com tios pais, primos e irmãos.
Tia Áurea nos apresentou nossos bisavós das famílias Mapelli e Casati, pais da avó paterna, D.Theresa.
A tia tem feito essas pesquisas ultimamente.
Esses italianos que eram essencialmente agricultores da região de Milão, vieram no final do século 19 para o Brasil, com a promessa de trabalho e bem aventurança.
Prá mim é engraçado o sentimento, por que apesar da curiosidade, meus antepassados italianos não me dizem muita coisa.
Acho que tenho mais dos portugueses, Nunes de Oliveira, pais do avô José.
Também tenho mais dos ascendentes da minha mãe, Seixas Moreira, portugueses também e acho que uma misturançazinha com índios.
Meu temperamento, cor de pele e tamanho, não indicam muita coisa italiana, talvez as pintas.
Uma coisa as famílias Nunes de Oliveira, Mapelli e Casati têm em comum, todos são chorões, emotivos, isso eu também sou.
Já a família da minha mãe é dócil e não tão emotiva, acho por intuição que tiveram que suportar mais desamparo e subjugo. A exceção é a avó materna, também Tereza, o cão fantasiado de avó.
Com certeza essas famílias tiveram que trabalhar muito e seus descendentes têm muito mais oportunidades.
Tenho comigo um sentimento de luta contra o subjugo, que talvez se explique através dos antepassados.
Descobri que o bisavô Pompeu tocava guitarra portuguesa, ai pelo amor de Deus, já tava achando que não tinha de onde tirar a paixão pela música.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

MAMÃE EU QUERO



Pára tudo.
como faz mesmo prá parar?
Os músicos sabem o perrengue que é quando tá chegando aquela frase encapetada que só Deus sabe se vai sair limpa.
Sei, sei, a gente vai perseverando.
E o que fazer com a sensação da maledeta frase?
Esquece, respira, dá uma voltinha a pé.
Corra, Alice, corra.
Onde era mesmo que a gente tava indo?
Será que eu vou ter que resolver aquele negócio mesmo? Não dá prá fingir que não está acontecendo?
E o doçe e o ouro, cadê?
Será que ele falou a verdade?
Não seria mais fácil abrir o coração?
Ai medão, papão.

sábado, 16 de maio de 2009

NOSSA QUE SURPRESA BOA!


Estava eu na espera da consulta médica e entabulei uma conversa com uma senhorinha na mesma situação.
Era o posto de atendimento do Iansp, lugar simples mas limpinho, como dizem por aí.
Papo vai papo vem, a senhorinha apresentou-se evangélica e eu já esperava o pior.
Mas num é que fui surpreendida por uma senhora que já foi empregada doméstica, cozinheira de salgadinhos e, falando com todas as concordâncias perfeitas mostrou-se como uma das mais sensatas pessoas que já conversei. Um luxo.
Ela contou que um irmão foi abandonado pela esposa e filhos quando ficou doente. Uma outra irmã solteira, cuidou até ficar doente também. Foi aí que ela entrou na história e obrigou, depois de muita espera e promessas, a esposa e os filhos a cuidarem do irmão.
Isso lhe causou um abalo emocional muito grande.
Ela disse que ficou depressiva e demorou para se restabelecer.
Disse que tomar uma atitude como a dela, essa de mandar quem pariu Mateus que o embale, é difícil demais numa sociedade onde todo mundo deixa tudo prá lá, ninguém nunca tem nada a ver com isso, mesmo quando o isso é seu pai ou seu filho, ou um amigo estimado.
Fiquei fã dela, e ela ainda por cima tem um sorriso lindo, um sotaque mineiro, um jeito moderno de ser, mesmo com o cabelo preso num coque.
Também sou fã do Dr Segalla, ele faz um trabalho de primeira, atende bem todo mundo, a consulta dura quanto tempo for preciso e não sei se foi coincidência, mas todas as vezes em que estive com ele, ele estava de bom humor.